ORQUIDÁRIO VALE DA PRATA

EMPORIUM ORCHID

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

CULTIVO DE ORQUÍDEAS - REGRAS GERAIS

Escrito de forma clara e objetiva segue-se excelente texto copiado na íntegra de folheto sobre orquídeas editado pela ASSOCIAÇÃO ORQUIDÓFILA DE SÃO PAULO - AOSP, de autoria do orquidólogo Sr. Denitiro Watanabe, de quem obtive autorização para esta publicação e agradeço por sua gentileza e colaboração. Querendo profundar-se nos assuntos aqui tratados, inclusive tendo em sua casa para uso diário dois ótimos MANUAIS com centenas de fotos e descrição de ORQUIDEAS HÍBRIDAS OU ESPÉCIES, vendidos pela AOSP, veja no final mais detalhes, fotos e como comprá-los. O texto a seguir ensina-nos:

a) Como situar as orquídeas.

b) Como pronunciar nomes de orquídeas;

c) Classificação por habitat;

d) Regras básicas de plantio;

e) Temperatura, Água e Umidade e Quando molhar a orquídea.

f) Tipos de substratos;

g) Luminosidade;

h) Adubação;

i) Pragas e doenças;

j) Quando dividir, plantar e replantar;

k) Floração.

TRIBUTO A DENITIRO WATANABE

Depois de publicado este artigo, recebi email da amiga orquidófila Katia Maria, de Niterói/RJ, com o seguinte: “(…)sou uma leitora voraz de revistas, livros, enfim tudo o que for relacionado a orquideas e outras plantas (roseiras, violetas, etc).
E ao ler uma revista me deparei com uma reportagem sobre Denitiro
Watanabe!
A história dele é incrível! Não sei se você conhece…
Ele com 70 anos cuida de mais de 2000 orquideas e 800 espécies e ainda tem tempo para escrever livros, participar de exposições, etc.
Quando da 2a. Guerra Mundial seus pais fixaram residência no
Brasil e cultivavam hortaliças e pessegos.
Por ter passado em um dos melhores colégios de São Paulo foi presenteado pelo pai com um bulbo de Cymbidium , pois o pai não tinha condições de lhe dar uma planta com flores e folhas. Dois anos depois ela floresceu.
A partir de então ele começou a sua coleção aos 11 anos de idade!

Sua orquidea mais preciosa é uma Cattleya walkeriana “Feiticeira” que lhe foi presenteada por um amigo sob a condição de nunca a vender.

E como voce divide com outras pessoas suas experiências e passa o ensinamento de nunca comprar plantas sem nome! Bonito, uma verdadeira lição de vida, não é?”

Emocionei-me lendo isso, e com esse texto presto homenagem do mundo orquidófilo a essa pessoa maravilhosa, cuja história é uma lição de vida a ser seguida!!! Obrigado sr. Denitiro, pelo muito que tem feito pela orquidofilia no Brasil!!!

CULTIVO DE ORQUIDEAS - autor: Denitiro Watanabe, orquidólogo.

a) SITUANDO AS ORQUÍDEAS: A orquídea pertence a uma família de plantas subdividida em mais de 1.800 gêneros e cada gênero possui de uma a centenas de espécies. O número total de espécies oscila em torno de 35.000, espalhadas pelos quatro cantos do mundo. O gênero Isabelia, por exemplo, possui apenas 2 espécies. O gênero Cattleya possui cerca de 70 espécies. E o gênero Bulbophyllum tem mais de mil espécies. As orquídeas mais populares são dos gêneros (C.) Cattleya, (L.) Laelia (lê-se Lélia), (Onc.)Oncidium (uma das espécies é conhecida como Chuva de ouro), (Milt.) Miltonia, (Den.) Dendrobium, (V.)Vanda, (Phal.) Phalaenopsis (lê-se Falenópsis), (Paph.) Paphiopedilum, conhecido como sapatinho (lê-se Pafiopédilum).

b) NOME DAS ORQUÍDEAS: Os nomes das orquídeas são dados em latim ou grego clássicos, línguas mortas,para que sejam os mesmos no mundo inteiro e nenhuma língua viva prevaleça sobre a outra. Assim, costumam oferecer algumas dificuldades na escrita e na pronúncia. Veja os exemplos:

- O conjunto de vogais ae lê-se e. Ex.: Laelia (Lélia); Exceção: Aërides (Aérides).

- O conjunto de vogais oe também tem o som de e. Ex.: Coelogyne (Celógine).

- Ph tem o som de F. Ex.: Phalaenopsis (Falenópsis).

- X tem som de KS. Ex.: Xanthina (Ksantina).

- CH tem som de K. Ex.: Chiloschista (kiloskista), Pulchelum* (pulkelum), Chondrorhyncha (kondrorrinka), Chocoensis (Kocoensis), *Ornithorhynchum (Ornitorrincum).

- TI seguido de vogal soa como CI, exceto quando precedido de S, T ou X. Ex.: Constantia (Constancia), Neofinetia (Neofinecia), Bletia (Blecia), mas Comparettia (Comparetia), Pabstia (Pabstia).

*Nota do administrador: Acrescento aqui que na fonética do LATIM a consoante M no final dos nomes soa surda, débil, quase inexistente. Ex.: Catasetum (catasetu), Pulchelum (pulkelu) - evite-se acentuar a pronúncia do M final.

Segundo convenção científica, nomes de gêneros e espécies devem ser escritos em itálico ou grifados.

c) CLASSIFICAÇÃO POR HABITAT: De acordo com o lugar do seu habitat, as orquídeas são classificadas como EPÍFITAS, TERRESTRES ou RUPÍCOLAS.

EPÍFITAS, a maior parte das orquídeas vivem agrupadas em troncos de árvores, mas não são parasitas, pois realizam a fotossíntese a partir de nutrientes absorvidos pelo ar e pela chuva. Portanto, ao contrário do que se pensa, não sugam a seiva da árvore.

TERRESTRES: vivem como plantas comuns na terra. Ex.: Paphiopedilum, Arundina, Neobenthamia, Bletia, embora aceitem o plantio em substrato ou envasamento.

RUPÍCOLAS são as que vivem sobre as rochas, fixadas nos líquens das fendas. Ex.: Laelia flava.

d) REGRAS BÁSICAS PARA O PLANTIO: A maior parte das orquídeas pode ser plantada em vasos de barro ou plástico de tamanho compatível com o da planta. É aconselhável o replante anual, ou pelo menos a cada dois anos, em virtude da decomposição ou deterioração do material.

Eis aqui algumas regras úteis:

1. Coloque uma camada de pedra no fundo do vaso (2 a 3 dedos) para permitir a rápida drenagem do excesso de água.

2. Complete com fibra de coco ou similar. Se houver pó, lave-o num balde com água para dispersar o pó. Evite substratos que contenham muito pó. As raízes necessitam de arejamento.

3. Certas orquídeas progridem na horizontal (rizoma), Laelia e Cattleya por exemplo, e vão emitindo brotos um na frente do outro. Para esse tipo de planta, deixe a traseira encostada na beira do vaso e espaço na frente para dar lugar a novos brotos (não enterre o rizoma, somente as raízes). Comprima bem o substrato para firmar a planta, a fim de que, com o vento ou um jato d´água, ela não balance, pois a ponta verde da raiz irá roçar no substrato, secar e morrer. Se necessário, coloque uma estaca para melhor sustentação.

4. Há orquídeas que dificilmente se adaptam dentro de vasos. Nesse caso, o ideal é plantar em tronco de árvore ou casca de peroba, protegendo as raízes com um plástico até a sua adaptação. Alguns exemplos dessas espécies são: C. walkeriana, C. schilleriana, C. aclandiae, a maioria dos Oncidiuns, Leptotes, Capanemias.

5. Orquídeas monopodiais (que crescem na vertical), como Vandas, Ascocendas, Rhynchostylis, Ascocentrum, devem ser plantadas no centro do vaso ou serem colocadas em cesto sem nenhum substrato. Nesse caso exigem um cuidado especial todos os dias. Deve-se molhar não só as raízes mas também as folhas com água adubada bem diluída. Por exemplo, se a bula do adubo líquido recomenda diluir um mililitro desse adubo em um litro de água, ao invés de um litro, dilua em 20 litros ou mais e borrife, a cada duas ou três horas, principalmenten em dias quentes e secos. Você pode perder a paciência, mas não a planta. Como exigem alta umidade relativa, pode-se, por exemplo, usar um recipiente bem largo, como uma tina furada, encher de pedra britada e colocar a planta com o vaso sobre as mesmas, de modo que as pedras molhadas pela rega assegurem a umidade necessária.

e) TEMPERATURA, ÁGUA E UMIDADE e QUANDO MOLHAR A ORQUIDEA: A umidade relativa do ar (quantidade de vapor d´água existente na atmosfera) nunca deve estar abaixo de 30%, caso contrário, as plantas se desidratarão rapidamente, o que, aliás, também ocorre conosco. Em dias quentes, a umidade relativa do ar é menor, por isso é necessário manter o ambiente úmido e molhar não apenas a planta, mas também o próprio ambiente. Num jardim, com muitas plantas e solo de terra a umidaderelativa é bem maior do que numa área sem plantas com piso de cimento.

Nunca molhe as plantas quando as folhas estiverem quentes pela incidência de luz solar, pois o choque térmico pode causar pequenas lesões que servem deporta de entrada para doenças. Molhe pela manhã ou no fim da tarde, quando o sol estiver no horizonte. Se precisar molhar durante o dia, espere uma nuvem cobrir o sol por cerca de 10 minutos para que as folhas esfriem. Somente, então, borrife as folhas, pois umidecê-las é extremamente benéfico.

-Quando devo molhar? Ouvimos com frequência esta pergunta e a resposta é infinitamente relativa. Se uma orquídea está plantada em substrato com pó, a rega pode ser semanal, mas, se estiver plantada em piaçaba ou casca de madeira, a rega deve ser diária. Quando se compra um vaso de orquídea, é útil verificar qual o substrato (material) em que está plantada, pois, dependendo dele, a secagem pode ser rápida ou lenta.

f) OS SUBSTRATOS MAIS COMUNS SÃO:

1. Fibra de coco com pó: secagem lenta.

2. Fibra de coco sem pó: secagem moderada.

3. Musgo ou cubos de coxim: secagem moderada.

4. Carvão ou piaçaba: secagem rápida.

5. Casca de pínus: secagem moderada, quando sem pó, e lenta, se tiver pó.

6. Mistura de grãos de isopor, casca de pínus e carvão: secagem rápida.

7. Casca ou tronco de madeira: secagem super rápida.

NOTA DO ORQUIDARIO CUIABÁ: O website “AORQUIDEA” do Mario A.G. Leal tem um excelente artigo complementando o assunto SUBSTRATOS, CLIQUE AQUI para saber mais no site dele.

A melhor maneira de regar é imergir o vaso num recipiente com água e deixar por alguns minutos. Se você molhar com um regador um vaso ressecado, pode ocorrer de a áua encontrar um canal por onde escorrer e o resto do substrato continuar totalmente seco. Um meio de verificar a umidade do vaso é aprender a sentir o peso, segurando com as mãos, ou atravé se um exame visual. Não use a mesma água em que foi mergulhado um vaso,par outro, pois, se no primeiro houver fungos nocivos à planta, o outro vaso irá se contaminar.

g) LUMINOSIDADE: Luz é essencial. Uma planta não pode fazer sombra para a outra. O ideal é manter as plantas sob uma tela sombrite de 50 a 70%, dependendo da intensidade da insolação local. Assim elas receberão claridade em luz difusa suficiente para realizarem a sua função vital que é a fotossíntese. Se as folhas estiverem com cor verde garrafa, é sinal de que estão precisando de mais luz. E se estiverem com uma cor amarelada, estão com excesso de luz.

Existem orquídeas que exigem mais sombra: é o caso, por exemplo, de algumas microorquídeas, alguns exemplares de Paphiopedilum, da Miltonia colombiana. Para estas plantas pode ser usada uma tela de 80% ou uma tela dupla de 50% cada.

Há outras que exigem sol direto, como a Vanda teres e Renanthera coccinea que, se estiverem sob uma tela, poderão crescer vigorosamente, mas dificilmente darão flor.

h) ADUBAÇÃO: As orquídeas necessitam de alimento como qualquer outra planta. Quando o adubo for líquido, dilua um mililitro (é igual a um centímetro cúbico) em um litro d´água. Uma seringa de injeção é um medidor prático.

Quando for sólido, mas solúvel em água, dilua uma colher de chá (1g) em um litro de água numa frequência de uma vez por semana. Essas soluções podem atuar como adubo foliar, mas nunca aplique durante o dia, pois os estômatos das folhas (minúsculas válvulas) estarão fechados. Faça-o de manhã, antes do sol nascer, ou no fim da tarde, molhando os dois lados das folhas (o número de estômatos é maior na parte debaixo das folhas).

Concentração de adubo menor do que a indicada acima ou pelo fabricante nunca é prejudicial. Se diluir o adubo citado acima (um mililitro ou um grama) em 20 litros de água (ou mais) e com ele borrifar diariamente as plantas, você pode obter excelentes resultados. Corresponde ao tratamento homeopático. Dosagem maior que a indicada funciona como veneno e pode até matar a planta.

Se o adubo for sólido, insolúvel na água, como o adubo da AOSP, deve ser colocado diretamente no vaso, numa média de uma a duas colheres de chá, dependendo do tamanho do vaso, uma vez por mês. É preciso cuidado para não jogar diretamente sobre as raízes expostas.

Obs.: Cessar a adubação quando o pseudobulbo estiver amadurecido, exceto para plantas monopodiais que tem crescimento contínuo.

i) PRAGAS E DOENÇAS: Plantas bem cultivadas, isto é, com bom arejamento, boa iluminação, num local de alta umidade relativa e bem alimentadas, dificilmente estão sujeitas a pragas e doenças. Falta de arejamento e de iluminação podem ocasionar o aparecimento de pulgões e cochonilhas (parece pó branco) que podem ser eliminados por catação manual ou com o uso de uma escova de dentes macia molhada com caldo de fumo, se forem poucas plantas.

Se o número de plantas for tal que impossibilite esse processo, você pode usar um inseticida adequado.

Planta encharcada pelo excesso de água ou submetida a chuvas prolongadas pode ser atacada porfungos e/ou bactérias, causando manchas nas folhas e/ou apodrecimento das raízes. O que ocorre é que os fungos ou nematóides que estavam em estado latente, ao encontrar condições favoráveis, se ativam e atacam as raízes.

No comércio existem muitos tipos de fungicidas e inseticidas, mas o manuseio requer cuidados especiais, pois são tóxicos para o ser humano e para outros seres vivos. Deixamos aquia a velha receita caseira docaldo de fumo que não é nocivo e é fácil de preparar.

Ferva 100 g de fumo de rolo picado em um litro e meio de água, acrescente uma colher de chá de sabão de coco em pó e borrife as plantas infectadas. É importante ferver o fumo, pois pode ser portador do vírus do tabaco.

Para combater pulgões e cochonilhas, pode-se também usar spray doméstico, tipo mata moscas, baratas, formigas, etc, feito à base de água e não de querosene (aqueles à base d´água vem escrito no tubo bem visivel esse detalhe).Uma outra boa opção é usar o óleo da semente de Nim que atua como inseticida e fungicida, tomando o cuidado de aplicar quando a temperatura estiver abaixo de 20º C e à sombra.

j) QUANDO DIVIDIR, PLANTAR E REPLANTAR: A divisão e replantio devem ser feitos quando a planta estiver emitindo raízes novas, o que se percebe pelas pontinhas verdes nas extemidades das raízes, não importando a época, inverno ou verão. Quando for dividir a planta, cada parte deverá ficar com, no mínimo, três bulbos, tendo-se o cuidado de não machucar as raízes vivas, o que se consegue molhando-as, pois ficam mais maleáveis. Sempre flambeie com uma chama (de um isqueiro, por ex.) o instrumento que vai usar para dividir a planta, para ter certeza de que a lâmina não está contaminada por vírus.

No caso de orquídeas monopodiais, como Vanda, Renanthera, Rhynchostylis, que soltam mudas novas pelas laterais, deve-se esperar que emitam pelo menos duas raízes, para então, separar da planta mãe.

As orquídeas do tipo vandáceas vão crescendo indefinidamente, atingindo metros de altura. Nesse caso, pode-se fazer uma divisão, cortando o caule abaixo de 2 ou mais raízes e fazer um novo replante. Se a base ficar com alguns pares de folhas, emitirá novos brotos.

k) FLORAÇÃO: De um modo geral, cada espécie tem sua época de floração que é uma vez por ano. Convém marcar a época de floração de cada espécie e examiná-las periodicamente, pois, caso não floresçam nessa época, você poderá detectar que algo errado poderá estar acontecendo com a planta e tomar providências. Por ex., no verão, teos floração da C. granulosa, C. bicolor, C. guttata. No outono, temos a C. violacea, C. luteola, L. perrinii, C. bowringiana. Na primavera temos C. warneri, L. purpurata, C. gaskeliana. Existem orquídeas, como certas Vandas que, bem tratadas, chegam a florir até quatro vezes por ano (desde que não sejam atingidas por um inverno rigoroso). O mesmo ocorre com híbridos cujos pais têm épocas diferentes de floração.

VEJA AGORA FOTOS DOS MANUAIS DE ORQUÍDEAS VENDIDOS PELA AOSP - com a sra. Lídia, pelo telefone (11) 3207-5703 ou email para aosp@aosp.com.br, mediante prévio depósito na conta bancária da Associação Orquidófila de São Paulo. Comprei os dois manuais. O primeiro volume organizado pelos orquidólogos Denitiro Watanabe, Márcia Sanae Morimoto, Gílson Tadao Enoki Kihara e Lúcia Midori Morimoto possui fotos coloridas de 506 espécies de orquídeas com ficha de cultivo. O segundo volume possui fotos coloridas e fichas de 442 espécies e 295 híbridas, e foi organizado por Denitiro Watanabe e Márcia Sanae Morimoto. Se você quer saber mais sobre orquídeas e pesquisar sobre algumas de sua coleção que não sabe o nome, esses dois manuais são INDISPENSÁVEIS em sua biblioteca. Não se esqueça de dizer que tomou conhecimento dos manuais aqui no blog-site do Orquidário Cuiabá virtual. Talvez a simpática dona Lídia lhe dê umdesconto especial!Na simplicidade de um laboratório caseiro, é possivel com um investimento mínimo, reproduzir em grande escala as orquídeas que estão extintas nas matas ou prestes a desaparecerem de seus hábitats . Mesmo sem conhecimento de botânica ou de manejo de laboratórios sofisticados de biotécnologia, com equipamentos simples, podemos contribuir para a preservação de nossas orquídeas.


Com um investimento entre
50 a 100 reais e muita perseverança é possível tornar realidade uma antiga preocupação das pessoas que gostam de apreciar estas jóias da natureza que estão sendo tão destruídas nas matas remanescentes. Tenho em meu arquivo, uma carta de uma leitora do Pará, que ficou marcante em minha memória e que tenho sempre citado em minhas palestras . Diz esta leitora que mudou-se para uma cidade no meio da floresta amazônica há oito anos e as grandes árvores rodeavam sua casa e podia ver orquídeas em suas copas. Várias vezes pode apanhar das árvores que iam cortando, algumas espécies para cultivar em seu quintal e queria aprender multiplicar por sementes estas plantas pois hoje, após estes anos que reside no local, se quiser ver uma única árvore tem que andar no mínimo 50 km. Tudo virou pasto para gado. Que devastação! Quantas plantas perdidas. E por ironia sua cidade chama-se Novo Progresso. Precisamos com urgência aumentar o número de laboratórios caseiros para reproduzir nossas orquídeas antes que elas acabem. Usar um laboratório caseiro é tão simples que até mesmo crianças podem aprender a reproduzir orquídeas por semeaduras ou meristemas.


Uma orquídea polinizada poderá com suas cápsulas de sementes formadas, dar origem a milhares de novas plantas. Na foto, uma Cattleya labiata com seis flores e três cápsulas de sementes polinizadas na florada anterior há oito meses.

Equipamentos para o laboratório caseiro

A montagem do laboratório depende de quanto temos para investir em equipamentos. Podemos começar com uma caixa de papelão transformada em capela para os trabalhos em ambiente asséptico.


Com uma caixa de televisão de 21 polegadas preparada como vemos na foto e revestida internamente com papel alumínio, duas aberturas para as mãos, uma abertura atrás para exaustão de gases e a frente aberta revestida com plástico transparente e temos aí um equipamento muito prático e barato para as semeaduras de nossas orquídeas.

Uma capela feita com vidros temperados, como mostra a foto ao lado, é resistente e mais fácil para limpeza e também de baixo custo, é o ideal para iniciar as semeaduras.


Para o trabalho no interior da capela, precisamos manter uma lamparina a álcool acesa durante todo o tempo, como mostra a figura ao lado. Diversos frascos, podem ser usados, como vidros que sobram na cozinha, de geléias, de palmito, azeitonas, etc. Muito bom, pela tampa que permite um fechamento perfeito, são os frascos de alimentos para bebês .


Para a esterilização de frascos, instrumentos, meios de cultura, água destilada , precisamos uma panela de pressão. Observe a figura ao lado. O tamanho desta panela depende da quantidade de frascos que pretendemos utilizar de cada vez e também, é claro, de quanto podemos gastar para adquiri-la.


Um pequeno pulverizador para solução desinfetante feita com diluição de água sanitária 30% (hipoclorito de sódio) e água de torneira. Esta solução é utilizada para limpeza de todo material que vai para dentro da capela. Também utilizamos para lavar sementes e as cápsulas fechadas de sementes. Para desinfecção de explantes de meristemas, além desta solução de hipoclorito, usamos também uma solução de álcool a 70 %.


Um equipamento opcional e que pode melhorar o desenvolvimento dos protocormos durante as fases iniciais da cultura de meristemas, é um girador de tubos de ensaio feito com uma pequena vitrola elétrica adaptada como a que vemos na foto ao lado. Um equipamento barato e muito eficiente quando usamos meio de cultura líquido, sem ágar.

Meios de cultura para semeadura e meristemas

Para um laboratório caseiro, podemos preparar meios de culturas com componentes de fácil aquisição e de preços bem baratos. E o melhor, tão eficientes e em alguns casos até melhores do que os mais tradicionais meios usados em sofisticados laboratórios de biotecnologia. Em qualquer feira livre ou mercado de produtos para culinária caseira podemos adquirir os componentes para o meio de cultura. E quem sabe fazer uma vitamina para consumo, saberá também com certeza, fazer um excelente meio para reproduzir orquídeas.

Coco verde, banana nanica, tomate cereja, mamão, abacate, batata, açúcar, gelatina ágar-ágar, carvão, água destilada, eis aí todos os componentes para fazer um ótimo meio de cultura para semeaduras e cultura meristemática de nossas orquídeas. E as quantidades de cada componente podem ser medidas com colheres de sopa, de chá de café, xícara para café e um copo comum.

Receita de um meio de cultura para semeaduras

Todos os componentes devem ser de cultivo orgânico, sem agrotóxicos

1 – banana nanica semi madura com casca...............(metade) aproximadamente 50 g

2 – mamão...............................(uma colher de sopa bem cheia) aproximadamente 50 g

3 – tomate cereja...............................(cinco pequenos tomates) aproximadamente 50 g

4 – água de coco verde................................................( 1 copo) aproximadamente 120 ml

5 – açúcar .....................................................(1 colher de sopa) aproximadamente 20 g

6 – ágar-ágar.................................................(1 colher de sopa) aproximadamente 10 g

7 – pó de carvão............................................( 1 colher de chá) aproximadamente 01 g

8 – água destilada........................................................................... completar para um litro

Receita de um meio de cultura para meristemas

Todos os componentes devem ser de cultivo orgânico, sem agrotóxicos

Semi Sólido

1 – banana nanica semi madura, com casca....................(metade) aproximadamente 50 g

2 – mamão..................................(uma colher de sopa bem cheia) aproximadamente 50 g

3 – tomate cereja..................................(cinco pequenos tomates) aproximadamente 50 g

4 – abacate.................................(Uma colher de sopa bem cheia) aproximadamente 50 g

5 - caldo de batata. cozida...................... (Uma xícara para café) aproximadamente 50 ml

6 – água de coco verde....................................................(1 copo) aproximadamente 120ml

7 – açúcar.........................................................(1 colher de sopa) aproximadamente 20 g

8 – ágar-ágar..........................................(1 colher de sobre-mesa) aproximadamente 05 g

9 – pó de carvão................................................( 1 colher de chá) aproximadamente 01 g

10 – água destilada.............................................................................completar para um litro

Fim da Primeira Parte.

Considerações gerais

Uma pesquisa realizada no Laboratório de Cultura de Tecidos Vegetais – Departamento de Biologia da Universidade Federal de Santa Maria, RS, no ano 2000, por A. L.Lopes da Silva, (Revista OrquidáRio, vol.17 nº 1) fazendo um teste comparativo entre os mais tradicionais meios de cultura usados nos laboratórios de biotecnologia (Knudsosn,C. 1946; Vacin & Went, 1949; Murashige & Skoog, 1962 e também, Lloyd & McCowood, 1981 ) e o meio de cultura que indicamos em meu Manual Prático de Cultura, 1996, 1a edição, com produtos orgânicos mas sem adubo , pudemos ter a certeza que com os componentes que utilizamos qualquer pessoa sem conhecimentos de botânica ou química, pode realizar com sucesso semeaduras e meristemas em um laboratório caseiro. Vamos repetir aqui a conclusão desta pesquisa : "os resultados desta pesquisa nos permitem concluir que esta receita é tão eficiente quanto os meios mais clássicos e superior no incremento de massa fresca das plantas". Desde aquela data (1996) vários outros meios de cultura desenvolvemos procurando simplificar cada vez mais as técnicas de reprodução assimbiótica de orquídeas e hoje , creio que estamos chegando a um meio de cultura ideal, acrescentando outros componentes, eliminando o adubo químico e procurando reduzir o tempo de permanência das plantas em frascos de cultura.

Estas receitas quando feitas com todos os componentes de cultivo orgânico, sem agrotóxicos, podem receber a semeadura após a esterilização sem necessidade de correção de nível de acidêz (pH). Não há portanto necessidade do aparelho pHmetro que é de custo elevado.

O tomate cereja que não existe em muitos lugares no país pode perfeitamente ser substituido por qualquer outro tomate, desde que de cultivo orgânico, sem agrotóxicos.

O açúcar orgânico também pode ser substituído por qualquer outro como o cristal, refinado, demeraba, melhor é evidente, é usar o açúcar orgânico produzido sem agrotóxico.

A gelatina ágar-ágar, extrato de alga marinha, pode ser encontrado em casas que vendem produtos de culinária oriental, como o Kanten usada com sucos de frutas para fazer gelatinas.

Estamos indicando quantidades aproximadas do ágar, pois é muito variável a consistência final da gelatina pela variação da qualidade deste componente. Hoje já temos experiências feitas para substituir o ágar –ágar por outros componentes mais fáceis de serem encontrados no comércio, como a gelatina sem sabor ou a maizena , utilizadas em culinária.

O pó de carvão melhor para meios de cultura é o vegetal ativado que é vendido em casas que comercializam produtos para laboratórios. Não sendo encontrado, pode ser substituido por pó de carvão de churrasqueira.

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