sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Aspirina e cultura de orquídeas



lc_m_ap_barani_aspirin-vert“Alem da alegria, a coisa boa de ensinar biologia durante anos foi aprender a cada dia mais. A coisa ruim é explicar tudo agora para adultos tão explicitamente como se fossem adolescentes.
Quando ensinava, comecei o ano escolar com uma experiência laboratorial onde os alunos diluíam aspirina (uma dose para adultos de 325 mg) em água, e regavam rabanetes, aveia ou qualquer vegetal de crescimento rápido com essa solução. A experiência nunca falhava.
A diluição forte (1 parte de aspirina para 1.000 partes de água) parava o crescimento; os grupos regados com a diluição média (1/10.000) cresciam notavelmente melhor que o grupo de controle regado somente com água; e os grupos regados com a diluição fraca (1/100.000) não cresciam mais do que o grupo de controle.
Os estudantes aprenderam que a aspirina contém salicina (C13 H18 O7), encontrada na casca do salgueiro. Os Índios Nativos de América do norte mastigavam talos de salgueiro para se livrar das dores de cabeça, e posteriormente os botânicos perceberam que alguns capins e outras plantas aquáticas que cresciam nas margens dos rios entre as raízes dos salgueiros cresciam melhor e amadureciam mais depressa devido à salicina. Transforme a salicina em ácido salicílico e pronto ! surge a aspirina. Literatura recente indica que a aspirina também é agente efetivo no tratamento de algumas infecções fúngicas.
Faz um ano, armado com toda essa informação, comecei a tratar nossa coleção de orquídeas com uma dose semanal de aspirina. Percebi que podia multiplicar a boa diluição de 1/10.000 acrescentando três quartos de aspirina por galão de água (um galão, medida americana corresponde a 3,783 litros). Temos umas 2.000 orquídeas, então usei 15 aspirinas para os 20 galões do reservatório do aspersor.
Na fase de crescimento acrescentei 6 colheres de sopa de fertilizante sólido e um jato de Whisk ou Dawn. No inverno usei 3 colheres de fertilizante sólido (desculpem as reiterações do professor, mas uma aspirina completa por galão vai brecar o crescimento, e também não se deve usar este sistema se a sua água tem teor ácido. Nossa água tem normalmente um pH de 9.0 e a aspirina abaixava o nível do pH para 8.6).
As orquídeas recebiam regas ou água de chuva normalmente durante a semana.
Para fazer 12 galões de solução fertilizante, combine 9 aspirinas com 12 galões de água; para 4 galões acrescente 3 aspirinas em 4 galões de água; e para fazer somente 1 galão dilua 1 aspirina num copo de água, jogue fora 1/4 dele e então acrescente água para completar 1 galão.
Nossas plantas tiveram mais floração, maior crescimento e menos problemas de fungos desde que a aspirina se tornou parte de nosso trato cultural. A única mudança tem sido acrescentar aspirina uma vez por semana. Pode ser a redução do pH, ou quiçá a mágica que dilui o nosso sangue e para as dores e sofrimentos que também nos ajuda a cultivar melhores orquídeas.
A outra coisa que aprendi e que venho usando por vários anos provem de um projeto de ciências de um dos meus alunos. Não se aplicava a orquídeas, mas as seis ou mais variedades de plantas de jardim tratadas demonstraram que o maior aproveitamento metabólico acontece às 11 hs e era melhor aplicar o fertilizante (e o herbicida também) nesse horário.
OBS.: 1 galão norte-americano eqüivale a 3,785 litros”
Colaboração recebida via email da orquidófila
Sandra Soares, de Volta Redonda/RJ.
Com o comentário do orquidófilo e com certeza orquidólogo, Hélio R. Magaldi, esclarece que “3/4 de Aspirina (ácido acetilsalicílico da Bayer) 325 mg equivale à 243,75 mg. Isto é praticamente a metade de uma Aspirina de 500 mg (a versão adulta comercializada no Brasil). Logo, para atingir os 243,75 mg, basta fracionar um comprimido de 500 mg em dois e utilizar uma das metades em 3,785 lts (1 galão - medida americana). Estou fazendo assim: metade de uma aspirina 500 mg diluída em 4 litros.
A Aspirina 500 mg, dose para adultos no Brasil, é tida como “extra forte” nos EUA. Neste país, a concentração baixa é de 81 mg -low-dose – no Brasil é de 100 mg (infantil). Veja mais emhttp://www.wisegeek.com/what-is-the-appropriate-aspirin-dose.htm
A página http://www.plantea.com/plant-aspirin.htm traz a experiência de Martha McBumey com o uso de ácido acetilsalicílico em diferentes culturas. Em algumas (tomate e brócolis) associando à solução de água-Aspirina uma pequena dose de sabonete líquido suave para que houvesse uma melhor aderência da mistura à planta. Diz ali que ao aplicar a solução de Aspirina-água em certas sementes plantadas em solo , houve 100% de germinação, o que não teria acontecido em outra área de solo com o mesmo tipo de semente. Interessante.”
“Plantas sob estresse produzem sua própria ‘aspirina’, diz estudo
Uma equipe de pesquisadores americanos descobriu acidentalmente que algumas plantas são capazes de lançar no ar um gás de composição similar à de um dos analgésicos mais utilizados pelo ser humano, a aspirina, quando ameaçadas por perigos como estiagem, mudanças drásticas de temperatura ou pragas de insetos.
Os cientistas do Centro Nacional para a Investigação Atmosférica do Colorado concluíram que, da mesma forma que os seres humanos usam o ácido acetilsalicílico (nome científico da aspirina) para baixar a febre,as plantas lançam no ar uma substância química parecida com o analgésico para melhorar suas defesas e se recuperar de alguma lesão.
“Os cientistas dizem que quantidades significativas de substâncias químicas podem ser detectadas na atmosfera quando as plantas respondem a secas e outros perigos”, disse o repórter da BBC, Richard Hamilton.
Os especialistas destacaram em artigo na revista Biogeosciences que os agricultores poderiam se beneficiar desse fenômeno porque a presença de emissões de salicilato de metila tem potencial para dar aos fazendeiros um alerta antecipado para possíveis dificuldades em seus cultivos, permitindo que eles tomem medidas contra pragas, por exemplo.
A substância química liberada também pode ajudar as plantas a sinalizarem um possível perigo umas para as outras.
“Esta descoberta traz uma prova de que a comunicação entre plantas ocorre no nível do ecossistema, disse Alex Guenther, co-autor do estudo.
“Parece que as plantas têm a habilidade de se comunicar através da atmosfera.”
A equipe disse que descobriu a presença da substância química acidentalmente quando estava monitorando emissões de compostos orgânicos voláteis em uma plantação de nogueiras na Califórnia. (Fonte: Estadão Online)”
Colaborou Katia Maria de Niterói/RJ - ref. publicação dia 20/09/2008, no http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=40797
A História da Aspirina - Uma medicação antiga que continua atual.
Autor: Dr. José Carlos Carneiro Lima
Em 1757, o Mr Edmund Stone um inglês natural de Oxfordshire, provou a casca do salgueiro e ficou surpreso com o seu intenso sabor amargo.
Sua semelhança com o sabor da casca do “Peruvian” (Cinchona) - um remédio raro e muito caro utilizado para malária - chamou a atenção de Stone, levando-o à iniciar uma observação clínica cuidadosa, que durou seis anos e culminou com uma carta ao Honorável George Conde de Macclesfield Presidente da “Royal Society” relatando sua descoberta. Stone baseou-se na teoria de que muitas doenças naturais carregam com elas sua cura, ou que sua cura não está muito distante da sua causa.
O salgueiro, assim como as doenças febris, são abundantes nas regiões úmidas. Apesar de não saber, o que ele acabava de descobrir era que os salicilatos - termo geral para os derivados do acido salicílico - reduziam a febre e aliviavam as dores produzidas por uma variedade de doenças agudas que provocavam calafrios, como a malária. A casca do salgueiro (Salix alba) é adstringente porque contém grande quantidade de salicina, o glicosídeo do ácido salicílico.
Em 1833, Raffaele Piria deu ao composto o nome pelo qual é conhecido até hoje: ácido salicílico. Durante o século 19, os cientistas franceses e ingleses estavam muito à frente dos alemães no que dizia respeito ao estudo de produtos naturais porém, o “know-how” de produtos sintéticos era dominados pelos alemães. Em 1859, Hermann Kolbe e seus estudantes, na Universidade de Marburg, sintetizaram o ácido salicílico e seu sal sódico, a partir de fenol, dióxido de carbono e sódio. Em 1874, um desses estudantes, Friedrich von Heyden, fundou a primeira grande empresa dedicada à produção salicilatos sintéticos em Dresden.
Enquanto em 1870 o preço do ácido salicílico, feito a partir do salicina, era 100 Thaler por kg, em 1874 o preço do produto sintético era 10 Thaler por kg. Foi a disponibilidade de um ácido salicílico barato que possibilitou a propagação do seu uso.
A aspirina, o salicilato mais conhecido hoje, entrou nessa competição razoavelmente tarde. Sua descoberta, em 1898, deveu-se ao fato do pai de Felix Hofmann, um químico do ramo de tinturaria da divisão Bayer, ser portador de artrite e não tolerar o salicilato de sódio devido a uma irritação crônica do estômago.
Hofmann foi buscar na literatura um derivado do salicilato de sódio que fosse menos ácido e deparou-se com o ácido acetil salicílico que era também mais palatável e mais efetivo para seu pai.
Atualmente, o salicilato mais usado é o ácido acetil salicílico, mais conhecido pelo nome comercial, “Aspirin”, (”a” de acetil e “spirin” do alemão Spirsaure), registrado pela Bayer.
Em 1899, não havia indústria química no mundo capaz de competir com os cartéis alemães. Eles haviam ganhado a guerra da aspirina e podiam ditar os termos da vitória.
No início da década de 90, os americanos consumiram cerca de 80 milhões de comprimidos/dia = 59 bilhões de comprimidos/ano e gastaram em torno de 29 bilhões de dólares/ano com analgésicos, muitos dos quais continham aspirina ou substâncias assemelhadas. Mecanismo de ação:
A primeira explicação satisfatória para o mecanismo de ação da aspirina foi proposta, em 1971, por John R. Vane e colegas do
Royal College of Surgeons em Londres. Vane havia observado o fato de que muitas formas de dano tecidual (como o rubor e calor, e dos que são sinais de inflamação) eram seguidas pela liberação de prostaglandinas, um grupo de hormônios ubíquos produzidos pela oxidação enzimática do ácido aracdônico, um ácido graxo contido na membrana celular.
As prostaglandinas são liberadas quando as células são lesadas ou estimuladas por outros hormônios. Vane então, utilizou ácido aracdônico marcado radioativamente para demonstrar que a aspirina e drogas a ela relacionadas (chamadas de antiinflamatórios não esteróides = AINEs) inibiam a síntese de prostaglandinas.
Talvez o aspecto mais persuasivo da hipótese das prostaglandinas, tenha sido a explicação dos efeitos colaterais dos AINEs.
O efeito colateral mais freqüente do ácido acetilsalicílico, é a irritação e ulceração gástrica.
Tais drogas causam esta irritação porque bloqueiam a síntese das prostaglandinas necessária à mucosa gástrica para regular a superprodução de ácido e sintetizar a barreira de muco que previne sua auto digestão.
A hipótese da prostaglandina explica o efeito antitrombótico de pequenas doses de aspirina, e o efeito analgésico e antipirético de doses intermediárias. Contudo, muita coisa ainda pode vir a ser aprendida sobre a biologia destes compostos na medida que eles interagem com sistemas cruciais das células.
Indicações:
Stone observou ainda que tais compostos exibiam um amplo espectro de efeitos:
Em baixas doses = de 85mg a 325 mg/dia - a aspirina pode ser usada para tratar e prevenir ataques cardíacos e na prevenção de trombose cerebral; 500mg a 4g (2 a 8 comprimidos de aspirina) Dois a seis comprimidos/dia são eficazes para dor ou febre;
Doses mais altas reduzem o rubor e o edema das articulações em doenças como a febre reumática, a gota e a artrite reumatóide.
A aspirina e os salicilatos têm, também, muitos outros efeitos biológicos, somente alguns relacionados com seus usos clínicos.
Os salicilatos podem:
-Tratar calosidades;
-Provocar a perda de acido úrico pelos rins;
-Matar bactérias “in vitro”.
A Aspirina na Medicina:
-Inibe a coagulação sanguínea;
-Induz úlcera péptica;
-Promove retenção de fluidos pelos rins.
-Prevenção das Doença Arterial Coroanariana e
-Acidente Vascular Cerebral.
Na Biologia Celular:
-Inibição do transporte de íons através de membranas celulares;
-Ativação de células brancas;
-Alteração na produção de ATP mitocondrial.
Na Biologia Molecular
-Ativação gênica.
Na Botânica
-Indução da floração.
Garret A. Fitzgerald e John Oates da Vanderbilt University School of Medicine mostraram que a aspirina, em pequenas doses, pode reduzir o risco de coagulação prevenindo AVCs e ataques cardíacos. Nenhuma outra descoberta, advinda da hipótese de Vane, obteve maior impacto na saúde pública.
Entrevista com Dr. Gilson Feitosa - Professor titular III Disciplina de Clínica da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública; Presidente SBC - 1999-2001.
1.
Qual a incidência das doenças cardiovasculares no Brasil?
R.: São responsáveis por cerca de 300 mil óbitos ao ano, esse dados são obtido através de levantamento de atestados de óbitos, isto coloca as doenças cardio-vasculares - DCV como a principal causa de óbitos no Brasil nos dias atuais e já a muito tempo desde os anos 60. Entre as doenças cardiovasculares destaca-se as doenças isquêmica do coração e as doenças cerebro-vasculares como as mais importantes, a peculiaridade no Brasil de ainda contarmos em algumas regiões com doenças ligadas a aspectos carenciais como por exemplo a doença reumática no coração e doença de chagas.
2.
Quais são seus fatores predisponentes?
R.: Os fatores predisponentes para a cardiopatia isquêmica cardiovascular são:
hipertensão arterial, tabagismo e dislipidêmias, todos estes fatores de risco concorrem para o aparecimento de aterosclerose vascular, que é a doença básica, determinando doença arterial coronariana e doença dos vasos cerebrais.
3.
Como prevení-los? Existe forma de prevenção usando medicamentos?
R.: Existem duas formas identificadas de prevenção, uma que é dita primária, que é mais abrangente e aplica-se as pessoas que tendo os fatores de risco ainda não tiveram manifestações da aterosclerose. A segunda forma é a prevenção secundária onde se aplica a pessoas que já tiveram infarto do miocárdio,
em ambas, as formas de prevenção recomenda-se mudanças do estilo de vida que resultem em abolição do tabagismo (cigarro), dietas saudáveis com redução de gorduras saturadas, controle de peso e prática regular de exercícios.
Ocasionalmente na fase primária e freqüentemente na secundária recorre-se ao uso de medicamentos tais como, antihipertensivos e hipolipemiantes.
4.
Qual a real importância da aspirina como droga preventiva das DCVs (Doenças cardiovasculares)?
R.: A aspirina tem papel comprovado na prevenção de eventos cardiovasculares, tanto em prevenção primária e principalmente na secundária. São clássicas as observações dos estudos médicos realizados nos EUA, com prevenção primária, e são numerosos os estudos de prevenção secundária que demonstram que a aspirina em doses que variam de 100 a 300 mg/dia são capazes de reduzir muitos desses eventos.

E ainda se perdem plantas por Podridão?



autores: Gomes Ferreira, Augusto Burle
Melo e Silva, Carlos Eduardo.
“Abstract:
In Brazil it is common some orchidophiles loose plants through infection by Pseudomonas cattleyae - a fatal disease which leads to rapid total loss of the leaves and pseudobulbs with consequent death of the plant.
Various experiments are being undertaken with a view to discovering a product which will save the plant. The authors are getting good results using a remedy (antibiotic) easily found in Brazil by the commercial name “Cicatrene” , made with Neomicine and Bacitracin.
They say when an orchid is suffering from fungal rot, caused by Pseudomonas cattleyae, they make a little hole in the rhizome of the plant and inject the substance of Neomicine and Bacitracin. After a short time the disease is under control. They didn´t get any result using Neomicin + Bacitracin cream or spray. It must be a solution of NB powder and sterilized liquid vehicle (text written in 1991). Obs.: Nowadays there aren´t on Pharmacies the old formula “Cicatrene” powder.
De acordo com publicação no Boletim CAOB (Coordenadoria das Associações Orquidófilas do Brasil), editado em 1991, os autores, então residentes no Estado de Pernambuco, tomaram conhecimento de que “para os orquidófilos do Sul a Podridão Bacteriana (causada por Pseudomonas cattleyae) continuam sendo causas de uma doença fatal para as suas plantas. Afirmam que onde moram, curam mais de 95% dos casos, só perdendo uma planta quando todas as gemas já foram atingidas.
neomicina_bacitracinaConsideraram na época o poder bactericida da Neomicina e sua impossibilidade de uso interno no homem, por motivo de paralisia renal que provoca. Lembraram da Podridão bacteriana e que orquídea não tem rins, assim, resolveram experimentar a aplicação interna do medicamento Cicatrene em pó (Neomicina + Bacitracina) nas plantas atacadas por essa doença. Primeiro, Gomes Ferreira, fez um furo num bulbo sadio de uma Laelia crispa que estava atacada pela Pseudomonas cattleyae e encheu o furo com Cicatrene, a Laelia curou-se sem que fossem removidas as partes afetadas, que secaram. Como este processo deixou um furo feio na planta, ele combinou com Melo e Silva, que além de orquidófilo é cirurgião vascular, injetar, com uma agulha raquidiana e uma seringa hipodérmica, 1 cm cúbico de solução saturada de Cicatrene. Assim, na primeira planta que apareceu infectada pela Podridão, perfurou em sentido longitudinal pela axila foliar e injetou 1 cm cúbico no último bulbo infectado e no primeiro primeiro ainda não atingido. A planta foi curada sem que fossem removidas as partes doentes.
Enquanto isto, Melo e Silva retirou a planta para um lugar seco, suspendeu toda a regação e cobriu o rizoma e as raízes visíveis com o Cicatrene, retornando a planta ao orquidário, depois que todas as partes infectadas secaram. Gomes e Ferreira cortou as partes infectadas e esfregou Cicatrene em pó nas cicatrizes e depois cobriu-as com mais Cicatrene, não removendo a planta do orquidário. Ambas as técnicas obtiveram o mesmo êxito: 99,9 % de cura.
Nas monopodiais como as Phalaenopsis, ambos removeram as partes infectadas e aplicaram o remédio, se o olho da planta ainda não tiver sido atingido, enchem-no com Cicatrene.
Este êxito levaram-nos a experimentar o remédio em outras doenças e também obtiveram excelentes resultados, como por exemplo:
1- Na podridão negra, que ataca os brotos no início do crescimento.
Cobrindo o broto com Cicatrene, a podridão estaciona e se não tiver atingido o tecido clonal, o broto retoma o crescimento, se já tiver atingido o clone, é removido este até atingir o tecido sadio, aplicando o remédio na ferida e em todos os outros brotos dormentes. As próximas brotações não são mais atacadas.
2- Na Podridão Negra e na nova doença surgida em Pernambuco (ressecamento superficial e penetrante do rizoma) os resultados também foram de êxito total.
Consideram que não devemos fazer do Cicatrene uma panacéia miraculosa.
Acreditam que com outros medicamentos de composição assemelhada como o Cicatrizam, obtenha-se o mesmo resultado.
Finalizando, fazem uma advertência: o Cicatrene, pomada e “spray” mostraram-se totalmente ineficazes.” (Atenção! Observe que esse texto foi escrito em 1991, na época existia o Cicatrene em pó, hoje -2009- não mais)
No texto afirma-se que a linha humana do medicamento à base de Neomicina e Bacitracina é de uso exclusivo externo pois internamente pode causar problemas renais, assim não existe no mercado farmacêutico, atualmente, composição do medicamento Cicatrene em pó, vendido na época, 1991 - portanto há mais de 10 anos.
Tentei encontrar sem sucesso nas farmácias e drogarias, e mesmo no Bulario Eletrônico da ANVISAalgum outro com mesma composição em pó, muito menos na linha veterinária. Existem dezenas de marcas, a começar por Nebacetin, mas todas, sem exceção na forma creme ou “spray”. Os autores foram taxativos em dizer que como creme ou “spray” o medicamento foi totalmente ineficaz, portanto sem nenhum efeito no combate a doença da planta.
A solução será procurar uma boa farmácia de manipulação e encomendar a mistura de Neomicina e Bacitracina em pó, na proporção daquela constante da bula do Cicatrene ou Cicatrizan.
Para os orquidófilos interessados em mandar manipular a fórmula , entenda a seguir o por quê dos benefícios dessa composição bactericida na defesa de nossas orquídeas:
Propriedades farmacodinâmicas
celula_bactéria_tipica_romeiro_1955A neomicina determina um erro na leitura do código genético da bactéria, interferindo na síntese de suas proteínas. Abacitracina inibe a biossíntese da parede celular bacteriana. Portanto, quando a neomicina e a bacitracina são utilizadas de forma associada, alteram a síntese bacteriana através de duplo mecanismo de ação.
Observa-se um efeito sinérgico destes dois componentes bactericidas, por exemplo, contra o crescimento de estreptococos, enterococos, pneumococos e algumas cepas de estafilococos.
A neomicina é eficaz contra bactérias gram-positivas, e particularmente contra as gram-negativas. O espectro de ação da bacitracina compreende principalmente as bactérias gram-positivas e algumas bactérias gram-negativas.
Conhecendo um pouco mais sobre BACTERIAS.
A Pseudomonas cattleyae é uma bactéria gram-negativa, ou seja, age e sobrevive sem necessidade de ar, portanto um organismo microscópico anaeróbico (ou anaeróbio).
Num estudo do Prof. Sami J. Michereff, do Departamento de Agronomia, Área de Fitossanidade, da Universidade Federal de Pernambuco, denominado “Bactérias como agentes de doenças de plantas” e publicado na internet, afirma que mais de 1.600 bactérias são conhecidas, mas apenas cerca de 100 espécies causam doenças em plantas. São importantes patógenos de plantas, não somente pela alta incidência e severidade em culturas de valor econômico, mas também pela facilidade com que se disseminam e pelas dificuldades encontradas para o controle das enfermidades por elas incitadas.
gender_bacterias@orquidario_cuiabaNa classificação dos principais gêneros de bactérias fitopatogênicas, temos o Reino:Procaryotae - e na divisão: Gracilicutes (das bactérias gram-negativas), temos a ClasseProteobacteria (onde a maioria é unicelular). Nessa classe encontramos a FamíliaPseudomonadaceae, com os Gêneros:Acidovorax, Pseudomonas, Ralstonia e Xanthomonas. Clique na imagem ao lado para vê-la ampliada.
Enquadramos no gênero Pseudomonas a espécie cattleyae, terror para muitas de nossas orquídeas.
No estudo do professor Michereff, é apresentado a tabela abaixo, facilitando maior compreensão da forma de atuação das principais bactérias patógenas. Clique na tabela para vê-la em detalhe.tab_bact_patogenicas@orquidario_cuiaba

Percevejo Tenthecoris orchidearum e outras pragas


A orquidófila Helena Pucci, enviou-me email ilustrado com as fotos aqui mostradas, do seguinte teor: “Tenho um pequenino orquidário em casa.
Nos últimos dias, notei a presença de um inseto que nunca havia visto antes.

tenthecoris_copyright_helena_pucciEsse inseto, como você verá nas fotos que envio em anexo, voa, é muito esperto (se locomove com muita rapidez!). Quando tento pegá-los, eles correm rapidamente para debaixo das folhas das orquídeas ou então voam.
Eles estão “sugando” tudo! Nas fotos, aparecem umas bolinhas maiores que, ao meu ver, parecem que é devido sucção da seiva. A folha em que encontro esse inseto fica toda feia…. E já percebi que eles preferem as folhas mais carnudas.
Eu consigo matar todos que vejo. Eles são moles, basta apertar levemente com as mãos que eles morrem.
Só que quando volto pra ver as orquídeas mais tarde, lá estão eles novamente.
Você conhece essas pragas? O que faço para acabar com eles?”

tenthecoris3_copyright_helena_pucciA resposta: De acordo com o Boletim Técnico do Instituto Biológico, “Aspectos Fitossanitários das Orquídeas”, o inseto que está atacando suas plantas é o percevejoTenthecoris orchidearum, cujos “insetos adultos medem cerca de 5,0mm de comprimento e apresentam coloração geral avermelhada ou alaranjada e asas azuis metálicas. As posturas são efetuadas em incisões longitudinais nos bulbos e folhas. Os insetos jovens apresentam coloração escura, preta. São insetos ágeis e escondem-se com facilidade sob as folhas, flores e substrato. Os adultos e as ninfas têm hábito gregário e sugam as folhas, ocasionando manchas redondas, esbranquiçadas ou amareladas conhecidas como “stigmonose”. Além de debilitarem a planta pela sucção da seiva, injetam pela saliva substâncias tóxicas irritantes ocasionando áreas necrosadas, permitindo também a infestação oportunista por fungos ou bactérias, deixando as plantas com aspecto deplorável”. tenthecoris2_copyright_helena_pucciO boletim do IB sugere como forma de combate uso de inseticidas fosforados, com princípio ativo malation. Conheço desse veneno, é forte e muito fedido; ou inseticida piretróide, com princípio ativo deltametrina. Já este veneno, apesar de não feder como o anterior, pessoas alérgicas podem ter reações nas vias respiratórias. No meu caso, quando uso para combate de pulgas e carrapatos nos cachorros, ou dedetização doméstica contra baratas e demais insetos rasteiros…espirro muito. Estes inseticidas são encontrados em casas de produtos agropecuários. O orquidólogo Darly Machado, no livro “Orquídeas - Pragas e Doenças”, sugere algo mais orgânico no combate a insetos em nossos orquidários com a “CALDA DE ALHO, considerada repelente de insetos, fungos, bactérias e nematóides. Para o preparo dessa calda, use três dentes de alho esmagados, uma colher das de sopa com raspas de sabão de coco e um litro de água destilada quente. Misture bem todos os ingredientes até que as raspas de sabão dissolvam-se, coe. Em seguida, com essa calda esfriada, pulverize de imediato toda a planta. Caso a infestação seja alta, deixe a planta imersa nesta solução”. Como ainda não tive problemas com esse tipo de percevejo, nunca usei nenhuma das coisas acima recomendadas. O que eventualmente uso contra pulgões e insetos diversos, principalmente cochonilha, é a velha e conhecida calda de fumo reforçada com sabão liquido neutro (ou mesmo sabão de coco) alho e pimenta malagueta. Intercalo com calda de óleo de nim. Dessa forma mantenho meu orquidário mais livre de pragas.tenthecoris1_copyright_helena_puccitenthecoris4_copyright_helena_pucci
Com a chegada da estação chuvosa na maior parte do Brasil, é bom prevenir aparecimento de fungos que surgem com o excesso de umidade ambiente, atacando folhas e flores, principalmente antracnose e botrytis. Manchas por antracnose (fungo Colletotrichum gloeosporioides) eventualmente podem confundir-se com aquelas causadas pelo fungo Phyllosticta sp. Sugiro aproveitar um dia seco, no entardecer, borrifando todo orquidário com calda bordalesa. phyllosticta_sp@orquidario_cuiabaphyllosticta_sp1@orquidario_cuiaba
Outras formas de controlar o aparecimento desses fungos que provocam manchas foliares são:
  1. promover boas condições de cultivo (adubação, transplante, iluminação adequada, etc.);
  2. eliminar folhas afetadas;
  3. evitar excesso de nutrientes, principalmente nitrogênio;
  4. minimizar a freqüência e a duração da rega foliar (ideal seria regar apenas as raizes e substrato), evitando respingos de um vaso no outro;
  5. proporcionar aumento de circulação de ar entre as plantas.

Curso sobre semeadura de orquídeas



No curso abaixo, apresentam uma boa opção para semeadura doméstica de orquídeas, usando ingredientes fáceis de serem encontrados, possibilitando a qualquer pessoa tentar em casa a micropropagação de sementes de orquídeas. Aos que usarem dessa fórmula, sucesso!
MEIO DE CULTURA – 1 LITRO
120 a 150 gramas de banana com casca. 1 tomate rasteiro (comprido) ou 5 cereja. 50 ml de água de coco (ideal que seja do coco verde) – mas pode ser de caixinha. 80 gramas de amido de milho – maisena. (substituto do Agar ) 15 gramas de açúcar cristal. 1 grama de petter ou plant prod 20-20-20 1 grama de petter ou plant prod 30-10-10 2 gramas de carvão ativado em pó. (Farmácia de manipulação ou lojas de aquários ) Observação: para que o meio de cultura fique mais alcalino coloque mais banana; se quiser mais ácido coloque mais tomate. Então para baixar o PH coloque menos tomate.
COMO FAZER O CARVÃO ATIVADO
Coloque uma pedra pequena de carvão por 5 a 10 minutos no forno microondas. Retire e jogue em água fria – retire e deixe secar. Por último moer.
PREPARO
Numa panela de alumínio, treflon ou vidro colocar: 200 ml de água de torneira. Tomate. Banana. Deixar ferver entre 5 e 10 minutos, até o tomate estourar e a banana ficar mole. Bater no liquidificador e coar em peneira fina. Adicionar a seguir: Água de coco. Carvão. Adubos. Açúcar. Detalhe: completar com água até ½ litro. Numa vasilha a parte dissolver lentamente em ½ litro de água fria o amido de milho (80 gramas). Despeje de volta na panela com os demais ingredientes.
Levar o fogo – cuidar para não ferver e não engrossar o meio de cultura – devido a presença do amido.
Retirar a espuma que surgir com uma espumadeira. Quando o meio de cultura estiver com aspecto viscoso – querendo engrossar - retire do fogo e coloque nos frascos – aproximadamente 2 cm por frasco. Se quiser use uma concha pequena como medida.
PREPARO DOS FRASCOS PARA O MEIO DE CULTURA Lavar os vidros com água e detergentes, inclusive as tampas – enxaguar bem, cuidando para não deixar restos de espuma. Secar num escorredor. PREPARO DA TAMPA: - fazer bem antes da semeadura para dar tempo de secar a cola.
Fazer um furo no centro da tampa, com um prego. Inserir uma capa de agulha – pedir na farmácia. Colar com tenaz – deixe secar e coloque outra camada – por dentro e por fora. Coloque algodão bem socado, ( com um palito de dente redondo e sem a ponta afiada) para formar um filtro e servir como respiradouro. Corte a ponta da capa da agulha – parte interna da tampa.
ESTERILIZAÇÃO DO MEIO DE CULTURA
1. Panela de pressão: 20 minutos. 2. Panela comum: 1 hora. 3. Antes de colocar os frascos na panela, forrar o fundo com pano dobrado ou uma gradinha de madeira. • Pingar 1 gota de solução – 100 gramas de sulfato de cobre para 1 litro de água – no algodão que está vedando o buraco da tampa para evitar contaminação – cuidado para não escorrer para dentro do frasco. (Reduzir essa formula ao mínimo possível, uma vez que a quantia a ser utilizada será mínima ) Ex. 50 gramas para l/2 litro de água . • Cobrir a tampa com papel alumínio para evitar a entrada de água pelo furo da tampa. 4. Após 20 minutos desligar o fogo. • Deixe esfriar para evitar choque térmico e quebrar os vidros. • Retirar os frascos da panela. 5. Esperar aproximadamente 5 dias antes de semear para ver se houve contaminação – caso algum frasco apresentar contaminação descarte-o imediatamente.
Solução desinfetante - bancada, instrumentos e sementes.
1. Álcool 70% - misturar 3 parte de álcool de posto e uma de água – bancada e instrumentos, ou
2. Cloro estabilizado de piscina 5 gramas por litro – bancada até a semente. – mais indicado por não manchar a roupa nem oferecer risco de explosão. Caso não encontre o cloro estabilizado utilize a fórmula a seguir:
DESINFECÇÃO DAS SEMENTES:
1. Num potinho preparar uma solução desinfetante usando 80 ml de água destilada e autoclavada, 20 ml de água sanitária e duas gotas de detergente neutro, ou Cloro estabilizado de piscina 5 gramas por litro – bancada até a semente. – mais indicado por não manchar a roupa nem oferecer risco de explosão.
2. Pegue o embolo de uma seringa de 5 ML molhe a borracha nessa solução e grude uma pequena porção de semente. 3. Volte o embolo para a seringa - aspire 5 ML da solução e de uma leve agitada. 4. Coloque a seringa dentro do potinho com a solução – agulha para baixo. 5. Deixe decantar de 7 a 8 minutos. 6. Em seguida coloque a seringa em outro pote, agora com a agulha para cima. 7. Aguarde só um estante para as sementes irem para baixo e solte a solução deixando as sementes. CURIOSIDADE 1. A semente de epidendrum não afunda. 2. Não desinfetar as semente de Phalaenopsis na solução de hipoclorito. 3. Em qualquer situação que ocorrer contaminação – diminuir o cloro e aumentar o tempo – item 5 acima – até um máximo de 40 minutos para evitar esterilização das sementes. PREPARANDO A SEMEADURA – 4 FRASCOS.
1. Pegue um frasco pequeno com água esterilizada - junto com os frascos de cultura. 2. Flambar a agulha no bico de Bussem. (aspirar o ar no fogo) 3. Aspire a água para lavar as sementes – agite levemente – cuidado para não romper as sementes. 4. Deixe decantar com a agulha para cima e solte a água. 5. Repita a operação duas vezes.(itens 2 – 3 e 4) 6. Aspire finalmente 2 ML de água, deixando l ML de ar. 7. Retire a agulha – deixe a seringa na solução desinfetante. 8. Pegue os quatro frascos de cultura – passe um pano com a solução desinfetante principalmente na tampa. 9. Abra todos os frascos sem retirar a tampa. 10. Flambe rapidamente a boca do vidro a ser semeado no bico de bussem. 11. Levante a tampa e ejete ½ ML da água com semente por frasco. 12. Volte a seringa para a solução. 13. Feche o frasco imediatamente – flambar a tampa no bico de bussem – em seguida coloque o filme plástico – cuidando para não tampar o furo da tampa. Balance o frasco em forma de círculo para que as sementes se espalhem uniformemente sobre o meio de cultura. 14. Coloque identificação: planta, data e outras informações que julgar necessário. ATENÇÃO: O ATO DE ABERTURA DOS FRASCOS PARA EJEÇÃO DAS SEMENTES – ITEM 11 - DEVERÁ SER FEITO EM CIMA DE UMA PANELA COM ÁGUA FERVENDO – NO VAPOR – PARA DIMINUIR O RISCO DE CONTAMINAÇÃO.
APÓS A SEMEADURA: 1. Manter em local limpo. 2. Temperatura média. Aconselhável em local sem vento direto 3. Luz direta durante 16 horas - pode ser luz do dia mais luz florescente. ( ex. das 7.00 horas até as 18.00 horas luz do dias . Das 18.00 horas as 23.00 horas luz fluorecente.) Pode ser utilizado um timer para ligar e desligar a luz 4. Não precisa repicar. 5. Retirar as mudas após 7 a 8 meses (observar o desenvolvimento das mesmas)
RETIRADA DAS MUDAS
1. Coloque um pouco de água para amolecer o meio de cultura.. 2. Lavar cuidadosamente num peneira fina para eliminar todo meio de cultura. 3. Cuidado para não danificar as raízes. 4. Deixe as mudinhas aproximadamente por 20 horas espalhadas em pano úmidos para fazer o velame das raízes. 5. Replantar em vaso ou bandeja coletiva – camadas de brita, casca de pinus de pequeno diâmetro e por ultimo casca de pinus bem miúda misturada com, pó de xaxim, fibra de coco picada ou similar. . 6. Manter em local sombreado – 70%. 7. Cuidar da umidade e adubação (plantas novas exigem mais umidade e adubação nitrogenada mais constante e diluída). Utilizar um pulverizador para molhar e evitar danos para as mudas . 8. Aplicar fungicida a cada 15 dias – (solução mais diluída)”